Longe
Longe, muito longe, é um lugar que existe e está tão perto - está em nós. Longe é o lugar onde escondemos os sentimentos de que não gostamos, que não queremos ver, que não queremos que sejam vistos, que não devem ser sentidos, que não podem ser percebidos. Mas não conseguimos fugir. Tentamos deixar de sentir na louca e derradeira esperança de que não existam. Mas, guardados, pensamos que não pensando, não irão doer.
Mas dói e é pior, pois dói sem sabermos que dói e dói sem sentirmos que dói e nos fechamos mais a cada vez, para doer menos a cada vez, e, a cada vez dói mais, e, a cada vez, é pior e, a cada vez, fica mais difícil de deixar de doer. Isso vai nos consumindo, nos matando aos pouquinhos e vem o desânimo, o câncer, e morremos ou já estamos mortos. Choramos por ela - a morte - a morte do ser vivo.
- Para que lutar se já estamos mortos?
- Para que lutar?! Morremos, morremos sim, mas não estamos mortos! Ë preciso lutar , é preciso lutarmos por ela - a vida - a nossa vida. Lutarmos contra os verme que deixamos procriarem, que achamos iriam acabar com as dores, mas que, na verdade, estão petrificando nossas almas, corroendo nosso ser, alimentando-se, não com as dores, mas abrindo chagas, no que há de belo.
- Vamos companheiro, não se cale, descale se sabre!
Não desande e sim ande, ande para frente, ande sobre os corpos destroçados dos vermes que o estavam destroçando. Não perca segundos, não deixe para segunda! Comece já, pois você já está atrasado!
A minha luta, que é a nossa luta, ainda está no início, um início tardio mas que, finalmente chegou.
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